Achados Econômicos

Em 15 anos, matérias-primas dobram presença nas exportações e viram maioria
Comentários Comente

Sílvio Guedes Crespo

Receba avisos de posts como este pelo Facebook

As matérias-primas têm aumentado fortemente sua participação nas exportações do país e, no primeiro semestre de 2014, tornaram-se maioria entre os bens vendidos ao exterior.

No primeiro semestre de 2002, os produtos básicos corresponderam a 25% das exportações brasileiras, enquanto os industrializados ficaram com 75%. Já na primeira metade de 2014, mais da metade (50,8%) das vendas ao exterior foi de mercadorias básicas.

A classificação das mercadorias usada pelo Ministério do Desenvolvimento, que provê esses dados, divide os bens em dois grandes grupos: o de produtos básicos (matérias-primas) e o dos industrializados. Esta segunda categoria tem ainda duas subdivisões: semimanufaturados e manufaturados.

Os semimanufaturados são produtos que passaram por uma transformação industrial simples. Dentro desse grupo, os bens que o Brasil mais exporta são açúcar bruto (o refinado já é considerado manufaturado), celulose, couro e ligas de ferro.

Já no conjunto dos manufaturados, as mercadorias mais exportadas “made in Brazil'' são combustíveis, automóveis e aviões. Porém, dentro desse grupo estão também bens menos sofisticados industrialmente, como açúcar refinado, suco de laranja, café solúvel e outros.

participacao produtos basicos semi manufaturados exportacoes

A trajetória de aumento da importância das matérias-primas nas exportações pode ser dividida em duas fases.

Na primeira, de 2003 a 2011, as vendas de produtos industrializados ao exterior cresceram fortemente (230%), mas as de bens básicos avançaram ainda mais (798%).

Já na segunda fase, de 2012 para cá, as exportações de matérias-primas ficaram estagnadas, enquanto as de bens industrializados caíram 12,5%.

exportacoes produtos basicos industrializados

O segundo gráfico mostra a evolução das exportações em dólares. Elas variaram pouco entre 1995 e 2002. Os produtos básicos oscilaram entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões, enquanto os industrializados ficaram US$ 16 bilhões e US$ 22 bilhões.

A partir de 2003, houve um aumento forte das exportações de ambos os grupos, como fica claro pela inclinação das linhas verde e vermelha do gráfico.

Em 2009, com a crise financeira iniciada nos Estados Unidos, ocorreu uma queda acentuada das exportações, principalmente de produtos industrializados. Os dois anos seguintes foram de recuperação, mas, depois de 2011, as vendas de produtos básicos ficaram estagnadas e as dos demais bens têm caído.


Após disparar, salário mínimo em dólar cai e volta ao nível de 2010
Comentários 3

Sílvio Guedes Crespo

Receba avisos de posts como este pelo Facebook

O salário mínimo brasileiro, quando convertido para dólares, teve um aumento brutal de 2003 até 2011. Depois disso, no entanto, ele inverteu o sentido e passou a cair gradativamente, voltando agora ao nível de 2010.

Desde o início do ano, o mínimo está em R$ 724. Pela cotação média do dólar no primeiro semestre, de R$ 2,297, quem recebe esse salário ganhou, por mês, o equivalente a US$ 315 de janeiro a junho.

Em 2010, o salário mínimo tinha esse mesmo poder de compra quando convertido para dólares. Em reais, era R$ 510. Passando para dólar pela cotação média anual e atualizando pela inflação, o mínimo naquele ano tinha o mesmo poder de compra que US$ 315 têm hoje.

Isso quer dizer que uma pessoa que ganhava o salário mínimo em 2010, se fosse gastar tudo nos Estados Unidos, teria exatamente o mesmo poder aquisitivo que tem hoje. Esse dado serve para dar uma ideia da capacidade do trabalhador pobre de obter produtos importados.

O gráfico abaixo mostra a situação com mais clareza.

salario minimo reais dolares 1994-2014

A linha vermelha representa o salário mínimo em reais de hoje, ou seja, atualizado pelo índice oficial de inflação, o IPCA. A linha verde corresponde ao salário mínimo convertido para dólar, pela cotação média de cada ano, e atualizado pelo CPI, o índice oficial de preços dos Estados Unidos.

Em todo o período abrangido pelo gráfico, o salário mínimo em reais quase sempre foi reajustado acima da inflação.

Já quando olhamos para o mínimo em dólares, vemos que ele subiu de 1994 a 1997 e depois despencou, atingindo o fundo do poço em 2002. Em seguida, disparou 292% até chegar a US$ 343 em 2011. Depois disso, caiu 8%, para os atuais US$ 315.

Os números são um sinal de que, de 2003 a 2011, quem recebia o mínimo aumentou significativamente sua capacidade de obter produtos importados. Já de 2012 para cá, essas pessoas perderam poder de adquirir bens estrangeiros.


Em 20 anos de real, salário mínimo subiu 142% acima da inflação
Comentários Comente

Sílvio Guedes Crespo

Receba avisos de posts como este pelo Facebook

O salário mínimo no Brasil acumulou um ganho de 142% acima da inflação desde julho de 1994, quando o real começou a circular, até junho de 2014.

Naquela época, o mínimo foi definido em R$ 64,79. Hoje, está em R$ 724, o que significa uma alta de R$ 1.017% no período. Enquanto isso, o indicador oficial de inflação (IPCA, Índice de preços ao Consumidor Amplo) subiu 362%. O resultado foi um aumento real de 142% no salário mínimo.

Caso tivesse sido apenas corrigido pelo IPCA ao longo desses anos, o mínimo hoje estaria em R$ 299.

O gráfico abaixo mostra a evolução do salário mínimo nominal e como ele estaria de fosse reajustado pelo índice oficial de preços a cada ano.

salario minimo e ipca 1994-2014

Para tornar as coisas um pouco menos abstratas, podemos recorrer à pesquisa da cesta básica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Segundo a instituição, a cesta básica custava R$ 67,40 na cidade de São Paulo em julho de 1994. Hoje, está R$ 354,63.

Isso quer dizer que quem ganhava o salário mínimo naquela época conseguia comprar, no máximo, uma cesta básica. Hoje, quem recebe o mínimo adquire duas cestas.

Índice de inflação

Sempre que cito algum índice de inflação neste blog, uma pequena e barulhenta parte dos leitores vem dizer que os dados não batem com o que eles veem no supermercado. Curiosamente, nenhum deles traz alguma informação precisa. Dizem sempre de forma genérica coisas do tipo: “A carne subiu muito mais do que isso''; “Não é isso que eu vejo no mercado'' etc.

A essas pessoas que tentam impor ideias apenas na base do “caps lock'', ofereço três argumentos.

O primeiro é o de que os índices de inflação do setor privado trazem números muito próximos aos dos indicadores oficiais. O IPC-DI, por exemplo, é um índice de preços ao consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV) que registrou uma alta de 6,5% nos últimos 12 meses, exatamente o mesmo número apresentado pelo IPCA, do governo. Já o IGP-M, também da FGV, marcou 6,2%. Ainda, o IPC da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica), entidade ligada à USP, registrou alta de 5,07% em São Paulo. No ICV, do Dieese, o aumento do custo de vida foi de 6,2%.

Situação bem diferente acontece na Argentina, onde os índices calculados pelo setor privado dão um resultado duas ou até três vezes maior do que os números oficiais. Se o IBGE está manipulando os dados de inflação, então ele combinou direitinho com a FGV, com a Fipe e com o Dieese.

O segundo argumento é o de que as pessoas que tomam decisões de negócios usam essas estatísticas. Relatórios de bancos citam abundantemente números do IBGE. Refiro-me a análises econômicas que grandes instituições financeiras oferecem aos seus clientes para ajudá-los a decidir onde investir. Ou seja, antes aplicar seus milhões, investidores olham para dados do governo, entre outros. Essas pessoas não são ingênuas e não tomariam uma decisão de investimento com base em estatísticas que não fossem confiáveis.

O terceiro e último argumento é o de que é possível checar os números. No caso do Dieese, que foi citado neste post, é mais fácil porque ele divulga o preço dos produtos encontrados.

Por exemplo, o instituto diz que a carne em São Paulo está R$ 19,61 o quilo. Para a pesquisa da cesta básica, o valor usado é a média entre o coxão mole e outros dois cortes de preço parecido. Pois bem, fazendo uma busca por “coxão mole'' rapidamente no site do Pão de Açúcar, vejo que o quilo está R$ 18,99 – mais barato, portanto, do que o apontado pelo Dieese.

Já o leite longa vida integral está R$ 3,14 em São Paulo, segundo o Dieese. No site do Pão de Açúcar, a marca mais barata (Parmalat) sai por R$ 2,85, e a mais cara (Ninho Nestlé), por R$ 3,95. O número do Dieese, desse modo, está dentro da faixa.  Outro exemplo: o feijão carioca está R$ 4,01 o quilo, de acordo com a pesquisa. No Pão de Açúcar, está R$ 3,55 o mais barato (Qualitá) e R$ 4,79 o mais caro (Broto Legal).

Enfim, não é tão difícil checar se os índices de inflação estão corretos, mas dá trabalho. É preciso ir aos supermercados, por exemplo, no próximo 1º de agosto e anotar o preço de todos os itens que são pesquisados pelos institutos (no caso do IBGE, a lista está aqui). Depois, é só voltar aos mesmos estabelecimentos no dia 1º dos meses seguintes e ver qual foi a variação. Quanto mais mercados a pessoa visitar, e quanto mais espalhados eles estiverem, mais consistência os dados terão.

Os que têm certeza de que o IBGE, a FGV, a Fipe e o Dieese estão manipulando os índices podem dar uma grande contribuição ao país se fizerem esse exercício.


As maiores obras da Copa, quanto custaram e quem são os responsáveis
Comentários 37

Sílvio Guedes Crespo

Seja avisado de posts como este pelo Facebook

As obras da Copa do Mundo de 2014 no Brasil custaram, até agora, R$ 23,45 bilhões. Esse número corresponde aos recursos efetivamente contratados até o momento, não à previsão. O valor pode aumentar porque diversas obras ainda estão em andamento.

O dinheiro para essas ações veio em parte de orçamento direto de governos federal, estaduais e municipais, de empréstimos de bancos federais e de empresas concessionárias.

Veja abaixo quanto custaram as principais obras da Copa, qual foi o órgão responsável e de onde veio o dinheiro.

Como principais obras, escolhi todos os estádios e as maiores ações em outras áreas.

Estádios

Quem está pagando pela construção dos estádios são os governos estaduais, na maior parte dos casos, e também empresas concessionárias e os clubes, quando as arenas são privadas. Em Curitiba e São Paulo, a prefeitura também contribuiu – no primeiro caso, com recursos do orçamento, e no segundo, com incentivos fiscais, conforme mostra a tabela abaixo.

O governo federal contribuiu indiretamente para a construção dos estádios. Por meio de bancos públicos, financiou 11 das 12 arenas, cobrando taxas de juros menores que a do mercado. Uma forma de medir a contribuição federal, nesses casos, é calculando a diferença entre quanto os bancos públicos receberão de juros e quanto eles poderiam receber se cobrassem uma taxa de mercado.

Cidade-sedeCusto (R$ mi)EmpréstimoQuem paga
Belo Horizonte678400Concess./Gov. de MG
Brasília1.4380Gov do DF
Cuiabá596338Gov do MT
Curitiba234131Atlético-PR/Gov do PR/Pref. Curitiba,
Fortaleza519352Gov do CE
Manaus651400Gov do AM
Natal400397Concess./Gov do RN
Porto Alegre330275Clube Inter., Andrade Gutierrez
Recife385930Concess./ Gov do PE
Rio de Janeiro1.077400Gov do RJ
Salvador689574Concess./Gov da BA
São Paulo820400Corinthians/Pref. S. Paulo
TOTAL7.8174.596
Fonte: Controladoria-Geral da União

 

Ainda, o governo federal tem concedido benefícios fiscais em determinadas obras da Copa. Com esse tipo de medida, deixou de arrecadar R$ 1 bilhão segundo levantamento feito pelo jornal “Valor Econômico''.

Aeroportos

Das 12 cidades-sede, a única que não teve seu aeroporto reformado para a Copa foi Recife. Nas demais, as obras somaram R$ 8,2 bilhões e foram pagas, em sua maioria, pela estatal federal Infraero. Em São Paulo (Guarulhos e Viracopos) e Brasília, a concessionária ficou responsável pela maior parte.

A reforma do Aeroporto Internacional de Guarulhos foi a obra mais cara da Copa. Até a última atualização dos dados, os recursos contratados somaram R$ 2,3 bilhões e a ação estava 93% concluída. A responsável pela maior parte das ações foi a empresa concessionária, que contribuiu com R$ 2,1 bilhões. Os outros R$ 170 milhões saíram da Infraero.

Ainda no Estado de São Paulo, a concessionária do Aeroporto de Viracopos desembolsou R$ 2,1 bilhões para ampliação e manutenção. A obra está 90% concluída.

O Aeroporto Internacional de Brasília recebeu a terceira maior intervenção, de R$ 1,13 bilhão. A concessionária desembolsou R$ 1,1 bilhão para ampliação das instalações, enquanto a Infraero gastou R$ 18,7 milhões e concluiu 84% da obra (não foi informado ainda o percentual de execução física da parte que cabe à empresa privada).

Em outras nove cidades-sede, as reformas de aeroportos somaram R$ 2,7 bilhões e ficaram sob responsabilidade da Infraero.

Mobilidade

A cidade-sede que mais gastou com mobilidade urbana para a Copa foi o Rio de Janeiro. As obras do BRT (Bus Rapid Transit, espécie de ônibus expresso) que liga o Aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca, passando pela Penha, custaram até agora R$ 1,7 bilhão, e estão 87% concluídas. Quem está pagando é a prefeitura do Rio, após receber empréstimo do BNDES.

Em segundo lugar aparece a cidade de Cuiabá. Para o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que vai de Cuiabá a Várzea Grande, os recursos contratados somaram R$ 1,5 bilhão. Os responsável é o Governo do Estado do Mato Grosso, que obteve empréstimo da Caixa Econômica Federal. Apenas metade dessa obra foi concluída até o momento.

Em Belo Horizonte existem sete obras de mobilidade urbana para a Copa, todas sendo pagas pela prefeitura, com financiamento da Caixa. Juntas, elas somam R$ 1,2 bilhão em recursos já contratados. Dessa quantia, mais da metade (R$ 693 milhões) vai para a construção de BRTs: no corredor Antonio Carlos/Pedro I, na área central e na avenida Cristiano Machado. O percentual médio de execução física dessas obras é de 93%.

Das 12 cidade-sede da Copa, somente Manaus não teve projeto de mobilidade urbana. Nas demais, as obras custaram R$ 7,3 bilhões. São Paulo, maior cidade do país, foi apenas a sexta em quantidade de recursos da Copa para mobilidade, com R$ 549 milhões na Zona Leste, região do Itaquerão. Pouco mais da metade (55%) da obra foi executada, segundo os dados mais recentes. O responsável é o Governo do Estado de São Paulo.

Portos

Em Fortaleza, Manaus, Natal, Recife, Salvador e Santos (SP), houve reformas ou construções de portos para a Copa. As obras mais caras ocorreram no litoral paulista (R$ 274 milhões) e na capital cearense (R$ 176 milhões). Juntas, as intervenções nos portos das seis cidades citadas foram de R$ 586 milhões. O percentual médio de execução física dessas obras é de 73%. A responsabilidade é do governo federal, por meio da Secretaria dos Portos.

Cidades-sede

Veja também quanto foi gasto em cada cidade-sede


Copa custa R$ 8 bi em estádios e R$ 16 bi em outras obras; falta acabar 18%
Comentários 156

Sílvio Guedes Crespo

Atualizado às 11h43 de 16/7*

Estádio do Maracanã

Estádio do Maracanã

Receba atualizações do blog Achados Econômicos pelo Facebook

Os recursos contratados para as obras para a Copa do Mundo 2014 somaram até o momento R$ 23,45 bilhões, incluindo estádios e outras obras, e foram bancados pelos governos federal, estaduais e municipais e, em menor grau, por empresas concessionárias.

Desse valor, R$ 7,8 bilhões correspondem à construção ou reforma dos 12 estádios e R$ 15,6 bilhões se referem a outras ações, como mobilidade urbana, aeroportos e portos.

Os números se referem às informações mais atuais à disposição no Portal da Transparência. Diversas obras ainda não ficaram prontas, de modo que o custo pode aumentar. A previsão mais recente do governo é de que chegue a R$ 25,6 bilhões.

Ao todo, o grau de execução física das obras é de 82% de acordo com os dados mais recentes, ou seja, restam 18% a serem terminados.

ObrasRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Estádios7.817100%
Aeroportos6.08972%
Mobilidade urbana7.25068%
Outras2.29690%
TOTAL23.45182%
Fonte: Controladoria-Geral da União

 

Existe uma diferença entre o percentual de execução física e o de obras concluídas.

O percentual de execução física se refere a quanto de uma obra foi realizado, mesmo que ela não tenha sido inaugurada. O percentual de obras concluídas corresponde a quantas ações foram 100% concluídas, em comparação com número total de ações.

Por exemplo, se tivéssemos apenas duas obras na Copa, com o mesmo custo, sendo que uma teria sido 100% concluída e a outra estivesse pela metade, então o percentual de execução física seria de 75% e o de obras concluídas seria de 50%.

Vale acrescentar que o percentual médio de execução física é ponderado pelo valor contratado para a obra. Quanto mais caro o empreendimento, maior o peso que ele terá na média. Por exemplo, se temos duas ações, sendo que uma foi 40% executada e outra foi 60%, a média de execução não será necessariamente de 50%. Vai depender de quanto cada uma custou. Se a primeira vale R$ 100 milhões, e a segunda, R$ 50 milhões, a média de execução física será de 47%.

Veja abaixo qual foi o volume de recursos contratados para cada tipo de obra e qual o percentual médio de execução física. Aqui, os dados estão agrupados por tema. No próximo post desta série sobre a Copa, o blog falará sobre as obras mais caras em cada modalidade, informando também qual é o órgão responsável pela realização.

As ações que foram abortadas sem que se tenha contratado nenhum recurso não estão incluídas no cálculo. Nos casos em que foram contratados recursos mas não há informação sobre o percentual de execução da obra, o dado foi incluído apenas na coluna “Recursos contratados” e não foi considerado na média geral de percentual de execução.

Estádios

Cidade-sedeRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Belo Horizonte678100%
Brasília1.438100%
Cuiabá59697%
Curitiba23483%
Fortaleza519100%
Manaus65199%
Natal40091%
Porto Alegre33099%
Recife385100%
Rio de Janeiro1.077100%
Salvador689100%
São Paulo82093%
TOTAL7.81798%
Fonte: Controladoria-Geral da União. Elaboração própria

 

Aeroportos

Cidade-sedeRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Belo Horizonte48050%
Brasília*1.133-
Cuiabá11171%
Curitiba29841%
Fortaleza40516%
Manaus35289%
Natal**164100%
Porto Alegre27916%
Recife0-
Rio de Janeiro42570%
Salvador13970%
São Paulo4.42493%
TOTAL8.21072%
* Em Brasília, não há dados suficientes que permitam calcular a média de execução física das obras.** Em Natal, há duas ações no aeroporto. Para uma delas, não há informação atualizada sobre o valor contratado nem o percentual de execução da obra. Foi considerada neste cálculo apenas a obra para a qual há dados

 

Mobilidade

Cidade-sedeRecursos contratados (R$ milhões)% de execução física
Belo Horizonte1.17593%
Brasília4340%
Cuiabá1.59351%
Curitiba34480%
Fortaleza61740%
Manaus0
Natal3245%
Porto Alegre*33-
Recife84881%
Rio de Janeiro1.70282%
Salvador**2177%
São Paulo54955%
TOTAL7.25068%
* Não há informação atualizada do percentual de execução de uma das obras em Porto Alegre. Por isso, esta tabela exclui a cidade do cálculo da execução média
** Não foi informado o valor contratado das obras de mobilidade em Salvador e São Paulo, por isso os números citados se referem ao custo previsto

 

Outras obras

A maior parte das obras da Copa pode ser dividida em reforma ou construção de estádios, reforma de aeroportos e ações de mobilidade urbana. Há, no entanto, algumas que não se encaixam nesses três grupos.

Entre elas estão ações de segurança pública, para as quais foram contratados R$ 504 milhões, e ações nacionais no setor de telecomunicações, ao custo de R$ 260 milhões.

Também há obras nos portos de Santos (R$ 274 milhões), Fortaleza (R$ 175 milhões em recursos contratados), Manaus (R$ 4,6 milhões), Natal (R$ 92 milhões), Recife (R$ 28 milhões) e Salvador R$ 31,2 milhões).

* Este post informava incorretamente que o volume contratado para obras em aeroportos para a cidade de São Paulo era de R$ 2,3 bilhões. Porém, tal valor se refere apenas ao Aeroporto de Guarulhos, ignorando a de Viracopos. Considerando ambas, os recursos para aeroportos chegam a R$ 4,4 bilhões em São Paulo e R$ 8,2 bilhões no país. O erro foi corrigido às 11h43 de 16/7.


Inflação dos últimos 20 anos é menor que a dos seis meses antes do real
Comentários 88

Sílvio Guedes Crespo

Receba aviso de posts como este pelo Facebook

A inflação acumulada ao longo dos 20 anos em que o real está em circulação é menor do que a dos seis meses que antecederam a criação da moeda.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, o indicador oficial de inflação) registrou uma alta de 362% de julho de 1994, quando o real começou a circular, a junho de 2014.

De janeiro a junho de 1994, o aumento havia sido de 757%.

O gráfico abaixo nos ajuda a enxergar a diferença gritante entre a época da hiperinflação e a atual.

inflacao plano real

Vemos no gráfico três momentos em que a inflação teve uma queda expressiva. O primeiro foi em 1986, época do Plano Cruzado. Pouco depois, no entanto, a inflação disparou. A segunda redução ocorreu no início da década de 1990, com o Plano Collor, também seguida por novo surto de hiperinflação. O terceiro momento de queda foi em meados daquela mesma década, com o Plano Real.


Obras para a Copa em Fortaleza, onde Brasil joga, somam R$ 1,7 bi
Comentários 29

Sílvio Guedes Crespo

castelao

Seja avisado de posts como este pelo Facebook

Os recursos para a Copa do Mundo em Fortaleza, onde o Brasil joga nesta sexta-feira contra a Colômbia, somaram até agora R$ 1,736 bilhão, entre reforma do estádio e do aeroporto, obras de mobilidade urbana e outras.

Dando continuidade a uma série de posts sobre os gastos com a Copa nas cidades-sedes do evento, este blog mostra quanto foi destinado às obras em Fortaleza, de onde veio o dinheiro, o que foi feito e quais obras ainda não foram terminadas. Os valores se referem a quanto foi contratado até o momento. Como alguns projetos ainda não terminaram, a quantia deve aumentar.

Obras da Copa em FortalezaValor contratado 
(R$ mi)
% concluída de execução da obraQuem paga
Estádio519100%Gov. do CE*
Aeroporto40516%Infraero
Mobilidade urbana61740%Prefeitura de Fortaleza e Gov. do CE**
Porto17520%Gov. Federal
Estrutura temp. p/ Copa das Conf.20100%Gov. do CE
TOTAL1736
* Recebeu empréstimo do BNDES
** Receberam empréstimo da Caixa
Fonte: Controladoria-Geral da União

Estádio

Para o estádio Governador Plácido Castelo, conhecido como Castelão, os recursos contratados foram de R$ 519 milhões, sendo que R$ 352 milhões foram financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e R$ 167 milhões saíram direto do orçamento do Governo do Estado do Ceará.

Quem vai pagar os R$ 352 milhões emprestados pelo BNDES é o governo estadual. Como o banco cobra uma taxa de juros abaixo do mercado, a participação do governo federal nos gastos do estádio ocorre indiretamente. Ela consiste na diferença entre quanto o Tesouro Nacional paga quando toma dinheiro emprestado e quando está cobrando nesse empréstimo. O valor ainda não foi calculado.

Aeroporto

Os recursos contratados para a reforma do Aeroporto Internacional Pinto Martins somaram R$ 405 milhões e são de responsabilidade da Infraero, estatal que administra aeroportos. Dessa quantia, apenas R$ 62 milhões haviam sido desembolsados até fevereiro, data da última atualização dos dados que a Controladoria-Geral da União disponibiliza.

O projeto inclui reforma e ampliação do terminal de passageiros e adequação do sistema viário. Até fevereiro (dado mais atual), menos de um quinto da obra estava concluído.

Mobilidade

Foram traçadas seis ações de mobilidade urbana para a Copa em Fortaleza. Os recursos contratados até agora somam R$ 617 milhões, dos quais R$ 410 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal.

Das seis ações, três são projetos para BRT (“Bus Rapid Transit'', espécie de corredores expressos de ônibus). Foram contratados R$ 179 milhões para essas obras, mas apenas R$ 62 milhões já foram pagos. O BRT mais adiantado é do da avenida Alberto Craveiro, com 97% da obra concluída em maio (dado mais recente). No da avenida Paulino Rocha, o percentual de execução física é de 64%, e o da avenida Dedé Brasil, de apenas 9%. Essas obras são de responsabilidade da Prefeitura de Fortaleza e o financiamento é da Caixa.

Outra obra de responsabilidade da prefeitura é o projeto Eixo Via Expressa/Raul Barbosa, que inclui reforma da avenida, construção de quatro túneis e um viaduto. Para isso, foram contratados R$ 218 milhões, mas somente R$ 696 milhões foram pagos. Do financiamento total, R$ 142 milhões, somente R$ 11 milhões foram liberados pela Caixa. O percentual de execução física da obra está em 13%.

A implantação de duas novas estações de metrô (Padre Cícero e JK) e o VLT (Veículo Leve sobre Trilho) ligando a estação e o Porto de Mucuripe ficaram sob responsabilidade do governo do Estado. Para a primeira obra, o valor contratado foi de R$ 20 milhões, dos quais R$ 9 milhões foram pagos até abril (dado mais recente). Somente 50% da execução foi concluída.

No caso do VLT, o valor contratado é de R$ 200 milhões, dos quais apenas R$ 54 milhões foram pagos. O percentual de execução física da obra era de 49% em maio.

Porto

No setor portuário, o projeto para a Copa em Fortaleza foi a construção do Terminal Marítimo de Mucuripe, que inclui a construção de um terminal de passageiros e de um cais, a pavimentação dos acessos e o estacionamento.

As informações dessa obra que ficam disponíveis para o público no Portal da Transparência do governo federal não estão atualizadas, o que dificulta o acompanhamento pelos cidadãos. Os dados mais recentes são de janeiro de 2013. Naquele momento, os recursos contratados chegaram a R$ 176 milhões e 20% da obra havia sido executada.

Estrutura temporária

Em Fortaleza, foi construída uma estrutura temporária para a Copa das Confederações, na qual o Governo do Estado do Ceará gastou R$ 20 milhões, já considerada também a desmontagem.


Em movimento raro, brasileiros reduzem importações no primeiro semestre
Comentários 44

Sílvio Guedes Crespo

Após um aumento da cotação do dólar, os brasileiros diminuíram os gastos com produtos importados no primeiro semestre deste ano, em um movimento raro na história recente do país.

As importações feitas por todos os moradores do país de janeiro a junho, incluindo pessoas físicas, empresas, instituições diversas e setor público, somaram US$ 113 bilhões – portanto, US$ 4,5 bilhões a menos do que na primeira metade do ano passado.

Nos últimos 10 anos, só houve queda nas importações semestrais duas vezes – em 2009 e agora. Nas duas últimas décadas, isso ocorreu apenas outras três vezes: em 1996, 1999 e 2002.

Em média, no primeiro semestre do ano passado a cotação do dólar ficou em R$ 2,03. Já no período de janeiro a junho de 2014, a média registrada foi de R$ 2,30, de acordo com o Banco Central. Com o dólar mais alto, produtos importados ficam mais caros.

Como consequência da redução das compras de bens estrangeiros, a balança comercial – registro de todas as exportações e importações feitas pelo país – ficou um pouco menos desequilibrada. O deficit passou de US$ 3,07 bilhões no primeiro semestre do ano passado para US$ 2,5 bilhões em igual período de 2014.

A balança comercial, portanto, dá sinais de que está começando a se ajustar. O ideal seria que isso ocorresse por meio do aumento das exportações. Mas, para isso, seria preciso que nossos produtos se tornassem mais competitivos no mercado internacional. Quanto mais exportamos, maior tende a se tornar nossa capacidade de importar. Como nossa indústria tem dificuldade de competir no exterior, e como o preço das matérias-primas parou de subir, nossas exportações começaram a cair em 2012, conforme o gráfico abaixo.

exportacoes importacoes

O gráfico mostra que as exportações brasileiras eram muito superiores às importações na primeira metade da década de 1990. Após o Plano Real, em que o real se valorizou e passou a ser usado para controlar a inflação, os produtos estrangeiros ficaram caros e as importações dispararam, sem que as exportações também o fizessem. O resultado foi que, de 1995 a 2002, o saldo comercial ficou praticamente inexistente, o que é mostrado pela pequena distância entre as linhas vermelha e verde.

A partir de 2004, as exportações dispararam, com a forte demanda da China por matérias-primas. As importações também subiram muito, mas até 2011, se mantiveram bem abaixo das vendas ao exterior, levando o Brasil a registrar o melhor saldo comercial da sua história, em termos absolutos. Com a desaceleração da China, a crise na Europa (um importador de peso dos produtos brasileiros) e as barreiras da Argentina (outro parceiro comercial importante), nossas exportações passaram a crescer em ritmo cada vez menor, até começarem a diminuir, a partir de 2012.

O gráfico, bem como os demais números apresentados aqui, se referem somente ao primeiro semestre de cada ano, para que se possa fazer comparações livres de influências sazonais.

 

 


Recursos contratados para a Copa em BH, onde o Brasil joga, somam R$ 2,4 bi
Comentários 3

Sílvio Guedes Crespo

mineirao REUTERS Leonhard Foeger 1

Seja avisado sobre posts como este pelo Facebook

Os recursos contratados para as obras da Copa do Mundo em Belo Horizonte, onde o Brasil joga neste sábado contra o Chile, somaram R$ 2,4 bilhões até agora, de acordo com dados da Controladoria-Geral da União.

Esse valor é a soma dos gastos públicos e privados na reforma do estádio e do aeroporto e em ações de mobilidade urbana.

Custo das obras para a Copa em BHValor contratado (R$ milhões)Percentual de conclusão física das obras
Estádio678100%
Aeroporto48045%
Mobilidade1.24472%
Total2.40175%
Fonte: Controladoria-Geral da União

Para a reforma do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, foram contratados R$ 678 milhões, mas a previsão é de que os desembolsos ainda cheguem a R$ 695 milhões. Deste último valor, R$ 400 milhões foram financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), R$ 255 milhões vieram do grupo concessionário e R$ 40,5 milhões saíram do governo do Estado de Minas Gerais.

Os R$ 400 milhões que o BNDES emprestou serão devolvidos ao banco com juros, a uma taxa abaixo da média do mercado. O dinheiro federal despendido no estádio, portanto, corresponde à diferença entre os juros que o governo paga ao tomar dinheiro emprestado e os que o BNDES cobra ao emprestar.

Na reforma do Aeroporto Internacional Tancredo Neves – Confins, os recursos contratados até agora somam R$ 480 milhões e ficaram sob responsabilidade da Infraero. Por enquanto, 45% das obras foram concluídas. Para a reforma do terminal de passageiros e do sistema viário, a previsão total de gastos era de R$ 238 milhões em 2010. Até agora, já foram contratados R$ 255 milhões e o percentual de execução da obra ainda está em 47%.

A reforma do aeroporto inclui também a ampliação da pista de pouso e do sistema de pátios (R$ 202 milhões contratados até agora, com 41% da obra pronta) e a construção do terminal de passageiros 3 (R$ 22 milhões, com 56% concluídos).

As ações de mobilidade urbana somaram R$ 1,2 bilhão, superando, portanto, os gastos com o estádio e com o aeroporto. Esse era o valor contratado até setembro de 2013, data da última atualização disponível no site da Controladoria-Geral da União. Naquele momento, 72% das obras estavam concluídas.

Entre as ações de mobilidade, as de BRT (Bus Rapid Transit) foram as maiores em termos de recursos contratados, com R$ 761 milhões. A porcentagem de execução concluída estava em 73% em setembro do ano passado.

As ações de mobilidade incluem, ainda a implantação do Boulevard Arrudas e o corredor na Avenida Pedro I, entre outras, e estão sendo pagas com dinheiro do governo do Estado de MG e da prefeitura de Belo Horizonte, sendo a maior parte financiada pela Caixa Econômica Federal.

 


Especulador cobre rombo de US$ 40 bi e equilibra contas externas do país
Comentários Comente

Sílvio Guedes Crespo

dolar_istock_exchange

Receba avisos de posts como este pelo Facebook

O Brasil tem dependido de capital especulativo para cobrir o rombo nas suas contas externas, mostram dados do Banco Central.

A diferença entre o dinheiro que entrou no país e o que saiu por meio das exportações de bens e serviços e por gastos de turistas resultou em um saldo negativo de US$ 6,635 bilhões em maio e de US$ 40,074 bilhões no acumulado deste ano. Essa conta é chamada de transações correntes.

Ao mesmo tempo, a diferença entre o que entrou no país e o que saiu por meio de investimentos estrangeiros foi de US$ 45,773 bilhões, cobrindo o rombo das transações correntes, com uma sobra de US$ 5,698 bilhões.

Somando essa sobra com US$ 2,576 bilhões de “erros e omissões” do balanço, o país aumentou em US$ 8,274 bilhões as suas reservas internacionais neste ano.

balanco de pagamentos

Isso quer dizer que, nos cinco primeiros meses de 2014, entraram no país US$ 8,274 bilhões a mais do que o dinheiro que saiu. (No gráfico acima, as entradas de US$ 48,3 bilhões se referem à soma dos investimentos estrangeiros com o item “erros e omissões''.)

Olhando mais de perto para os números, vemos que, para manter esse balanço equilibrado, temos precisado de capital especulativo, aqui definido como aquele que pode sair do país em curto prazo, como as aplicações no mercado de ações ou em títulos da dívida do governo.

Do saldo de US$ 45,773 bilhões que entrou no país na forma de investimentos estrangeiros, apenas US$ 22,027 bilhões foram diretamente para o setor produtivo. O restante entrou como investimentos em ações, títulos públicos, derivativos etc, ou seja, são aplicações que podem sair do país muito rapidamente.

investimento estrangeiro

No segundo gráfico, os investimentos em carteira e outros são aqueles que podem sair do país em curto prazo, o que não quer dizer que eles necessariamente vão sair. Quem compra uma ação, por exemplo, pode guardá-la por anos ou vender imediatamente. Já quem constrói uma fábrica (caso do investimento direto) não consegue se desfazer dela tão rápido.

O Banco Central mais do que dobrou a sua previsão para investimentos em ações neste ano, de US$ 5 bilhões para US$ 12 bilhões. Para aplicações em títulos de renda fixa, o BC elevou sua previsão de US$ 15 bilhões para US$ 18 bilhões.

Opinião

O balanço de pagamentos, quando visto como um todo, tem sido favorável ao país neste ano, uma vez que acumulamos mais de US$ 8 bilhões em reservas nos primeiros cinco meses. Essa conta representa uma melhora em relação ao ano passado, quando saiu mais dinheiro do país do que entrou, de forma a perdemos reservas.

Quando olhamos para os detalhes, no entanto, percebemos que essa não é a melhor forma de equilibrar nossas contas externas. O ideal seria se não precisássemos depender de capital de curto prazo para fechar o balanço.

Em 2011 e 2012, por exemplo, o investimento estrangeiro direto, aquele que em tese vai para o setor produtivo, foi suficiente para cobrir todo o deficit de transações correntes.

Melhor ainda foi o que ocorreu de 2003 a 2007, quando tivemos um saldo positivo em transações correntes. Ou seja, para fechar o balanço de pagamentos, não dependíamos nem do capital estrangeiro especulativo nem do produtivo. Somente vendendo bens e serviços ao exterior já conseguíamos equilibrar nossas contas. Era uma época em que a China crescia mais de 10% ao ano e comprava cada vez mais matérias-primas brasileiras. Além disso, Europa e Estados Unidos não estavam em crise e também adquiriam produtos do Brasil.

Como entravam muito mais dólares no país do que saíam, sem precisar depender de especulação, o real foi se valorizando na década passada, ajudando a aumentar o poder aquisitivo dos brasileiros.

Hoje, no entanto, não há sinais de que a economia chinesa volte tão cedo ao ritmo daquele período. Vai ficar difícil usar o câmbio para aumentar o poder de compra dos brasileiros – ainda mais porque, quando mais o real sobe, mais difícil fica a situação da indústria, que compete com produtos estrangeiros.

Para que a população volte a elevar seu poder de compra sem precisar valorizar o real, é necessário que a economia brasileira fique mais produtiva. A agenda do governo, seja quem for o próximo presidente, precisa estar focada em reduzir os custos do produtor nacional sem mexer no câmbio. Isso se faz com, entre outras medidas, concessão da infraestrutura à iniciativa privada, redução da burocracia e melhora da relação entre governo e mercado.